terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma pergunta sem resposta: porquê??

Bati a porta(de casa).
Arrastei os meus pés pela avenida até chegar à praia.
Sozinha,com o cabelo todo encharcado e as calças todas enlameadas dirigi-me para o meu cantinho.
O meu cantinho é o melhor da praia.
Nesse meu canto existem umas escadas para subir para as rochas. Subi-as.
De seguida,saltei entre as falhas das rochas e sentei-me na rocha mais próxima do abismo.
Sentei-me,cruzando as pernas.
Abracei-me a mim própria,como desejava que fosse ele a abraçar-me.
Baixei a cabeça,deixando de sentir a maresia na minha pele por momentos,para passar a sentir lágrimas.
O choque da temperatura de H2O contra a minha pele gélida fez-me tremer. Abracei-me ainda mais.
Balançava para a frente e para trás. Chorando. Abraçando-me com tal força,chegando ao ponto de enterrar as unhas na própria carne.
Levantei a cabeça,deixando os meus cabelos negros esvoaçarem ao sabor do vento,e ao mesmo tempo limpando-me as lágrimas.
Sentia os meus olhos inchados.
Sentia os meus lábios cortados do frio à beira mar.
Sentia o meu corpo petrificado pelas emoções à flor da pele,e por todas as memórias e todos os desejos que viajavam na minha mente a uma velocidade impressionante.
De seguida,abri os olhos.
Olhos verdes esmeralda.
Mas desta vez não eram tão esmeralda como outrora.
Estavam enegrecidos,pela angústia,dor e rancor, presentes no meu coração e na minha mente.
Olhei para o mar distante.
De seguida olhei para baixo,para a areia que se encontrava a metros de mim,e por momentos...desejei ir de encontro ao solo arenoso.
Desejei sentir ainda mais dor.
Desejei,por muito estúpido que fosse,algo contra o meu corpo.
Mas rapidamente a minha mente tomou acção e impediu-me de cometer um acto de pura loucura.
De seguida,sinto o telemóvel a vibrar.
Tiro-o do bolso e vejo uma mensagem no visor: "ola".
Eras tu.
Senti uma vontade tão grande de te responder a dizer que te amava,que eras tudo para mim.
Senti uma vontade tão grande de te telefonar e implorar que me viesses visitar.
Senti uma vontade tão,mas tão grande, de dizer que um dia quero puder usar aquele vestido de noiva que vi,aquela aliança que me mostraste.
E senti,meu amor,uma vontade tão grande de me atirar a baixo do penhasco.
Senti-o por saber que as outras têm aquilo que eu não tenho.
Senti-o por saber que ultimamente tudo tem estado mal e porcamente entre nós.
Senti-o por saber que,se as coisas correrem mal,não te posso abraçar,beijar,olhar nos olhos e pedir desculpa,mas acima de tudo.. puder,com as lágrimas nos olhos,olhar para o teus olhos e dizer-te (entre soluços) que te amo e que és a minha vida,e que nunca quero deixar de te ter presente da minha vida.
Amo-te
E desculpa..


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