Dou por mim a rir-me mais do que o habitual.
A divertir-me como nunca me diverti. Ver a vida como nunca a vi.
Mas, por momentos, a minha véstia consome-me. Os pensamentos chegam como faíscas. Mortais flashbacks.
Mas tu... fazes-me esquecer.
Lutando com o meu ser existencial, batalho interiormente para puder findar contigo.
Sorrindo legitimamente, choro suspiros e esperanças futuras. Ohh, como o amor é esperançoso.Cego.
Como humanos, o quanto somos ingénuos.
Meras crianças vítimas do enredo, corremos. Sentimos o atrito voar por debaixo de tecido humano. Sangue é vertido. Lágrimas esvoaçam. Risos ecoam.
Em meu redor, teus braços acolhem-me subitamente. Não desejo qualquer outra realidade.
Musicalmente ecoam vozes de esperança prometendo um final feliz.
E meu inocente coração finca essa ânsia.
Será existencialmente possível? Um final feliz?
Haverei de encontrar resposta?
Nostalgia, frustração acresce-se em meu mortal peito.
Momentaneamente, apenas algodão em minha pele e o teu perfume me acalmam.
E dou por mim ,esperançosamente murmurando:
I wish it could be... forever
S*
Redondilhas negras contrastam a delicadeza da pele.
Gordas, pesadas e humilhantes gotículas de água escorrem.
Mantendo um monólogo interior, luto contra o ódio que há em mim.
Ninguém entende. Ninguém entende a batalha interior que faço todos os dias. Desde do momento em que coloco um pé fora da cama, até voltar a aconchegar-me nos lençóis.
Ninguém entende como finjo um sorriso, aguento as lágrimas e permaneço inocente, como toda gente espera que seja.
Estou tão exausta....
Tão cansada de tantos anos a odiar-me...
Eu sou a menina que evita os espelhos.
A menina que usa preto para esconder o corpo.
A menina que não sorri, porque lhe mata faze-lo.
A menina que não fala, porque está ocupada a falar consigo mesma.
E eu não aguento mais...
Eu não quero ouvir mais bocas. Mais o meu nome a circular a sala de aula...
O que eu dava para ter escolhido outra disciplina. O que eu dava para estar noutra turma.
Eu vejo. Eu sinto. Os olhares, as bocas, os risos cínicos.
Eu odeio-me. Eles odeiam-me.
Uma relação bastante ambígua no entanto mais concreta do que outra qualquer.
Aliás, no fundo não passo de uma falhada.
Por isso entendo. Melhor que ninguém. Quem sou eu para os julgar...
Mas tudo bem. Amanhã voltarei a fazer o que fiz estes 17 anos:
Levanto-me, visto-me, ponho um sorriso como tudo estivesse bem.
Sorrio quando tenho de sorrir.
Mando uma piada na altura apropriada.
Finjo-me interessada nos problemas alheios e mantenho-me minimamente atenta às aulas.
Tenho de ser a amiga perfeita. A namorada perfeita. A irmã perfeita. A filha perfeita.
Não posso errar.
Não posso chorar.
Apenas odiar-me. Secretamente, odiar-me.
Cada pedaço do meu ser cuidadosamente sacrificado.
Não conheço outra realidade.
Quando penso saber... atingi-me o quanto fraca sou. O quanto ridícula, gorda, feia, sou.
Desculpem.
À minha turma: por ser um fracasso em educação física.
Ao R*: por não ser a namorada que tu merecias ter.
Aos amigos: por me esquecer de datas importantes, por arranjar desculpas para faltar a aniversários e saídas por me odiar tanto e não querer que ninguém me veja.
À minha família: por não ter as melhores notas, não ser a mais bonita. Por não ser a filha perfeita, nem a irmã-modelo que deveria ser.
Desculpem-me, pff.
Eu queria tanto ser perfeita...
Mas apenas foge-me essa realidade.
Desculpem.
Amo-vos.
S*