Mostrar mensagens com a etiqueta ainda doí... Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ainda doí... Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Vejo-me Fernando Pessoa.

Incerteza,confusão,mágoa. Trilogia apodrecida que me devora a alma.
Sinto-me Fernando Pessoa. Rejeitando sentimento, sonho, felicidade. 
Debruço-me sobre realidade matinal para consciência não perder, e alma não desvanecer.
Questiono o meu lugar e existência tão incerta e subjectiva.
Agonia-me meus medos interiores, demónios pútridos com tal malvadez mórbida , que me fazem cravar unhas na pele.
E tédio diário me faz rir com ironia e ódio para meu ser, pois sei meu lugar e resposta a minha pergunta existencial.
Por fim, embalo-me com relógio ao som de minha pena. Durmo. Esperando, para todo o sempre.
Tic-toc, tic-toc....


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uma pergunta sem resposta: porquê??

Bati a porta(de casa).
Arrastei os meus pés pela avenida até chegar à praia.
Sozinha,com o cabelo todo encharcado e as calças todas enlameadas dirigi-me para o meu cantinho.
O meu cantinho é o melhor da praia.
Nesse meu canto existem umas escadas para subir para as rochas. Subi-as.
De seguida,saltei entre as falhas das rochas e sentei-me na rocha mais próxima do abismo.
Sentei-me,cruzando as pernas.
Abracei-me a mim própria,como desejava que fosse ele a abraçar-me.
Baixei a cabeça,deixando de sentir a maresia na minha pele por momentos,para passar a sentir lágrimas.
O choque da temperatura de H2O contra a minha pele gélida fez-me tremer. Abracei-me ainda mais.
Balançava para a frente e para trás. Chorando. Abraçando-me com tal força,chegando ao ponto de enterrar as unhas na própria carne.
Levantei a cabeça,deixando os meus cabelos negros esvoaçarem ao sabor do vento,e ao mesmo tempo limpando-me as lágrimas.
Sentia os meus olhos inchados.
Sentia os meus lábios cortados do frio à beira mar.
Sentia o meu corpo petrificado pelas emoções à flor da pele,e por todas as memórias e todos os desejos que viajavam na minha mente a uma velocidade impressionante.
De seguida,abri os olhos.
Olhos verdes esmeralda.
Mas desta vez não eram tão esmeralda como outrora.
Estavam enegrecidos,pela angústia,dor e rancor, presentes no meu coração e na minha mente.
Olhei para o mar distante.
De seguida olhei para baixo,para a areia que se encontrava a metros de mim,e por momentos...desejei ir de encontro ao solo arenoso.
Desejei sentir ainda mais dor.
Desejei,por muito estúpido que fosse,algo contra o meu corpo.
Mas rapidamente a minha mente tomou acção e impediu-me de cometer um acto de pura loucura.
De seguida,sinto o telemóvel a vibrar.
Tiro-o do bolso e vejo uma mensagem no visor: "ola".
Eras tu.
Senti uma vontade tão grande de te responder a dizer que te amava,que eras tudo para mim.
Senti uma vontade tão grande de te telefonar e implorar que me viesses visitar.
Senti uma vontade tão,mas tão grande, de dizer que um dia quero puder usar aquele vestido de noiva que vi,aquela aliança que me mostraste.
E senti,meu amor,uma vontade tão grande de me atirar a baixo do penhasco.
Senti-o por saber que as outras têm aquilo que eu não tenho.
Senti-o por saber que ultimamente tudo tem estado mal e porcamente entre nós.
Senti-o por saber que,se as coisas correrem mal,não te posso abraçar,beijar,olhar nos olhos e pedir desculpa,mas acima de tudo.. puder,com as lágrimas nos olhos,olhar para o teus olhos e dizer-te (entre soluços) que te amo e que és a minha vida,e que nunca quero deixar de te ter presente da minha vida.
Amo-te
E desculpa..


30718214_large



SU

domingo, 13 de novembro de 2011

Após estes anos todos.. ainda doí.

Não consigo.
Desde dos meus 9 anos,não consigo.
Não consigo aceitar que vocês partiram deste mundo e tão subterrados por terra,protegidos apenas por um caixão.
Não consegui enfrentar.
Não chorava,pois já chegava os meus pais e a minha irmã para chorarem.
Doía,mas fazia para não doer.
Sorria quando queria chorar.
Abraçava o meu pai quando só me apetecia gritar-lhe o porquê daquilo ter acontecido.
Os meses foram passando,a dor foi aumentando,e eu entrei em depressão.
Aos 10 anos,saí dela.
Nunca mais fui a mesma..nem nunca serei.
Mas aprendi uma coisa: nem tudo o que temos é tão garantido como parece.
E o meu coração que o diga.
Ainda não consigo olhar para as vossas fotos sem começar a chorar histericamente.
Não consigo entrar na velha casa onde passei a minha infância,tão feliz. Onde entrava à socapa no carro do meu tio e fingia que conduzia. Onde andava de bicileta a uma velocidade estonteante,quase me matando a dar as curvas. Onde colhia flores e as punha nos meus cabelos pretos,longos.
Eu sinto falta disso,sinto falta daqueles sorrisos tão puros,daquela preocupação que tinham para eu comer,para eu não me magoar,para ser feliz.
Sinto falta desses olhares.
Sinto falta desses abraços.
Sinto falta das comidas caseiras que me faziam quando estava doente.
Sinto tanta,mas tanta falta disto.
E agora perguntam-me o porquê de escrever isto.
Porque às vezes sou fraca e não consigo evitar que estas memórias me atormentem.
Às vezes não consigo impedir de me "partir" em lágrimas e enrolar-me toda em mim mesma.
Porque às vezes,eu não consigo.
Não consigo.
Quem me dera puder olhar uma vez mais para vocês e dizer que vos vi,que vos abracei. Mas não posso.
Estão noutro mundo.
É o que digo para não doer,como toda a gente faz.
Quando falece alguém como não queremos encarar o facto que desapareceram,dizemos que foram para o céu.
Mas a verda é que não foram. 
Desapareceram (fisicamente). Mas as memórias (felizes e dolorosas) perduram.
E a única coisa que posso fazer agora é seguir em frente,limpar as lágrimas e pensar,novamente,"não adianta Su,não adianta...".


Agora sinto-me assim:
(encontrei esta música neste blog: http://duasalmasdemaodada.blogspot.com/2011/11/2327am.html)



SU