Leio a tua carta automaticamente. Sem qualquer
paragem.
Sei cada ponto, cada vírgula. Passo rapidamente,
embora eficazmente os olhos por cada conjunto de letras, retendo os sentimentos
por elas fornecido.
A minha mente aleia-se às vontades, originadas pela
tua presença. Embora não real, Fictícia.
Imortalmente atingem-me um conjunto de memórias
salvaguardadas no meu peito, que desbotam a sensibilidade do meu ser. E percebo
o que significas. O que sempre significaste.
Cada letra do sujeito subentendido implica uma razão
lógica de ser assim. De ter sido assim escrito. De se comportar de tal modo, neste
mundo de lógica e imoralidade coerentes.
E agrada-me tal imoralidade. Tal falta de bom senso.
De lógica.
Afinal, de que se trata disto tudo?
Minha figura desconhece. Nem tal outro indivíduo
sabe. A sua fonte e passado são também ambos desconhecidos.
E por lógica e ilógica consequente, desconheço tais
conceitos. Tais consequências.
Desconheço o real do irreal.
O concreto do abstracto.
A moralidade da imoralidade.
É por esta razão que escrevo com tanta falta de
coesão. De lógica.
Penso que se deve ao medo, trazido pela realidade
desconhecida. Pelo novo conceito abordado por mim pela primeira vez.
Mas é-me tão claro... Parece-me tão aceitável...
Porque haveria de surgir a negação de tal sonho?
Porque haveria de existir sujeitos alheios a rejeitarem algo tão perfeito? Algo
tão credível…?
Afinal, felicidade é um conceito humano. Conceito
construído por nós mesmos.
Se tal conceito é humano, porque é que o sujeito explícito
e o nulo subentendido terão de o negar?
Tal falta de racionalidade enjoa-me.
Rapidamente afasto tais pensamentos da minha mente.
Se a minha pessoa não conseguir vencer as ondas das
marés e atravessar o mundo a nado, perderei os meus ideais. Perderei toda a minha
convicção em conhecimentos cuja origem rementem para mim.
E tal afirmação eu renego.
Por mais calão que use…
Por mais feridas que me sejam infligidas…
Por mais descrenças me tentem impor...
Eu não desistirei.
Devo à personagem secundária, e tão principal desta
história, um final feliz.
Poderá não ser perfeito. Eu mesma não o sou...
Mas juntarei tudo alcançável no mundo concreto e
metafísico para finalizar com a guerra.
A guerra interior. A guerra pessoal. A guerra
conjunta.
Um elenco está em causa.
Autor está em causa.
Personagem outrora está em causa.
E não será permitido que tal mundo desabe, apenas por
ferimentos.
Quer graves. Quer ligeiros.
Uma guerra é tal o conceito por si definido:
É sangue derramado. É lágrimas findadas na poeira
encontrada entre corpos. É o frio sentido pelas almas cuja esperança se espaireceu.
Guerra é algo grotesco. Algo abominável.
Mas a guerra tem um possível pseudónimo:
Esperança.
Após tanto sofrimento... Finalmente, paz.
Mudanças efectuadas.
Chuva caída. Fome saciada.
Almas combinadas com o mesmo propósito.
É por esta razão que tal narrador não poderá
regalar-se o com a perda.
Existe um objectivo comum.
Um final à nossa espera.
Mas aliados são precisos...
Meu pequeno confidente. Preciso de ti.
Para que tal final se concretize.
Preciso.
De ti.
Personagem secundária, mas tão, tão principal.
-"Hope is the only thing stronger than fear" (THG)
(28/10/2012)
Snowiii*
