Admito: o medo diminuiu. A partir que criei este meu mundo. Mas não desapareceu totalmente.
Tenho medo de falar como estou psicologicamente.
Não me quero abrir,e ao mesmo tempo quero.
Mas tenho medo que a lágrimas nunca parem de cair,e que o coração nunca mais possa ser curado.
E eu odeio isto tudo.
Odeio saber que a minha família,que tanto amo,odeia-me. Profundamente.
E eu sei pai. Sei que no fundo quando vês o meu olhar de dor,tu me abraças,porque no final,sou tua filha. Mas dói. Muito. Doí saber que me odeias.
Também dói saber que não sou aquela que queres que seja. Aliás,tu próprio disseste "nem eu ,nem a tua mãe te conhecemos. Já não és aquela minha Sofia que eu conhecia".
Não,não sou.
Como esperes que seja isso se sou uma aberração?
Ya pai dou-te novidades: não,não sou popular. Não sou sobredutada. Não tenho tanto talento como isso. E não sou boa como as outras.
Não sou isso.
Apenas a pequena aberração da cidade,em que nada acerta.
E eu desisto.
Doí-me tanto.
Doí sonhar e voltar a sonhar. Pesadelo atrás de pesadelo. Passar os dias a ouvir e ouvir as mesmas palavras,os mesmos suspiros de desagrado,os mesmos olhares mesquinhos.
E eu desisto.
Desisto, doí-me tanto.
Não quero saber.
Perfura-me,mata-me,esfola-me,e volta a este ciclo vicioso.
E eu não consigo mais aguentar isto.
Não consigo.
Snowii*