domingo, 13 de novembro de 2011

Após estes anos todos.. ainda doí.

Não consigo.
Desde dos meus 9 anos,não consigo.
Não consigo aceitar que vocês partiram deste mundo e tão subterrados por terra,protegidos apenas por um caixão.
Não consegui enfrentar.
Não chorava,pois já chegava os meus pais e a minha irmã para chorarem.
Doía,mas fazia para não doer.
Sorria quando queria chorar.
Abraçava o meu pai quando só me apetecia gritar-lhe o porquê daquilo ter acontecido.
Os meses foram passando,a dor foi aumentando,e eu entrei em depressão.
Aos 10 anos,saí dela.
Nunca mais fui a mesma..nem nunca serei.
Mas aprendi uma coisa: nem tudo o que temos é tão garantido como parece.
E o meu coração que o diga.
Ainda não consigo olhar para as vossas fotos sem começar a chorar histericamente.
Não consigo entrar na velha casa onde passei a minha infância,tão feliz. Onde entrava à socapa no carro do meu tio e fingia que conduzia. Onde andava de bicileta a uma velocidade estonteante,quase me matando a dar as curvas. Onde colhia flores e as punha nos meus cabelos pretos,longos.
Eu sinto falta disso,sinto falta daqueles sorrisos tão puros,daquela preocupação que tinham para eu comer,para eu não me magoar,para ser feliz.
Sinto falta desses olhares.
Sinto falta desses abraços.
Sinto falta das comidas caseiras que me faziam quando estava doente.
Sinto tanta,mas tanta falta disto.
E agora perguntam-me o porquê de escrever isto.
Porque às vezes sou fraca e não consigo evitar que estas memórias me atormentem.
Às vezes não consigo impedir de me "partir" em lágrimas e enrolar-me toda em mim mesma.
Porque às vezes,eu não consigo.
Não consigo.
Quem me dera puder olhar uma vez mais para vocês e dizer que vos vi,que vos abracei. Mas não posso.
Estão noutro mundo.
É o que digo para não doer,como toda a gente faz.
Quando falece alguém como não queremos encarar o facto que desapareceram,dizemos que foram para o céu.
Mas a verda é que não foram. 
Desapareceram (fisicamente). Mas as memórias (felizes e dolorosas) perduram.
E a única coisa que posso fazer agora é seguir em frente,limpar as lágrimas e pensar,novamente,"não adianta Su,não adianta...".


Agora sinto-me assim:
(encontrei esta música neste blog: http://duasalmasdemaodada.blogspot.com/2011/11/2327am.html)



SU